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 meio ambiente 28.07.2010    
Irrigação capilar  
     
   
  Sistema de irrigação ‘capilar’ aumenta produção e reduz impactos ambientais. Tecnologia pode ser usada na produção de porta-enxertos de mudas cítricas    
Vicente Cioffi

por Maria Alice da Cruz

Uma linha de pesquisa coordenada pelo professor Roberto Testezlaf, da Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri) da Unicamp, avança no desenvolvimento tecnológico de um sistema de irrigação eficiente para utilização na produção de porta-enxertos de mudas cítricas no Estado de São Paulo.

Contemplada pelo Edital Universal do CNPq em 2006 e novamente em 2009, a pesquisa, que envolve projetos de iniciação científica, mestrado e doutorado, está na fase de aprimoramento de um equipamento e automação do sistema capaz de garantir a redução de impacto ambiental causado pelos atuais sistemas de irrigação de porta-enxertos.

“A ideia é ter um sistema fechado que garanta a recirculação da água na própria estufa em que os porta-enxertos de citros são produzidos, para redução total do descarte de soluções nutritivas ricas em nutrientes no solo”, explica Testezlaf.

Para a redução de impactos, o Grupo de Pesquisa Tecnologia de Irrigação e Meio Ambiente da Unicamp propõe uma tecnologia inédita, utilizando o princípio de capilaridade.

Os pesquisadores desenvolveram um equipamento de irrigação, em que a água é aplicada diretamente no substrato, evitando o umedecimento da parte aérea da planta, para ser utilizado na primeira fase de produção das mudas cítricas, conhecida como sementeira, quando as sementes são depositadas em tubetes de plástico rígido preenchidos com substrato, que, em seguida, são colocados em bancadas e irrigados.

A técnica favorece o uso eficiente de água, fertilizantes, defensivos agrícolas e energia elétrica, além de evitar impactos ambientais significativos.

A primeira parte da pesquisa, desenvolvida na empresa Citrograf, sediada no município de Rio Claro/SP, pelo aluno de iniciação científica João Paulo Fernandes e pelo aluno de mestrado Conan Ayade Salvador, identificou os principais componentes do processo de produção e caracterizou o perfil do produtor de mudas cítricas do estado de São Paulo, que no ano de 2007 tinha uma área de produção de até 3.000 m2 (representando 64% dos viveiristas) e produzia até 80.000 mudas anualmente (65% dos viveiristas). Os pesquisadores também constataram que 78% dos viveiristas utilizavam casca de pinus como substratos, 92% empregavam chuveiros ou tubos perfurados como sistemas de irrigação por aspersão com aplicação manual da água, 89% deles com fertirrigação, e 57% não utilizando técnicas de manejo da irrigação. As avaliações de desempenho da irrigação nesse setor da produção agrícola confirmaram que esta atividade é realizada sem controle efetivo da lâmina aplicada, gerando baixas eficiências de irrigação, com perdas significativas de água e fertilizantes.

De acordo com Salvador, com o descarte de sais obtido na produção de 16,8 milhões de mudas em agosto de 2009, referentes aos seis primeiros meses do ano, seria possível produzir, utilizando os sistemas atuais de irrigação, mais 30 milhões de cavalinhos, como são chamados popularmente os porta-enxertos, o que se configuraria em lucro para o citricultor e evitaria o descarte de fertilizantes para o lençol freático.

“Atuamos ao lado do produtor para mostrar que, além de contribuir para a preservação ambiental, ele pode ter lucro em razão da redução de custos e aumento da produtividade”. Imagens registradas por Salvador dão ideia do desperdício de água e solução nutritiva e da salinização provocada pela atual sistemática de fertirrigação.

As experiências com o primeiro protótipo construído pelo grupo, durante os projetos de mestrado de Salvador e doutorado de Carlos Vinícius Garcia Barreto, comprovaram a capacidade de redução de impacto ambiental e de aumento da produtividade do sistema.

Testada por Barreto, em sua tese de doutorado, a nova tecnologia de irrigação reduziu de 90 para 66 dias o tempo médio de produção de cavalinhos de Limão Cravo, o que garante ao citricultor uma produtividade maior ao longo do tempo em razão do maior número de ciclos de produção por ano. UNICAMP

Vicente de Moraes Cioffi – Engenheiro especializado em meio ambiente. Membro da coordenação do Fórum Permanente em Defesa da Vida e Núcleo Regional do Plano Diretor Participativo - vicentecioffi@gmail.com -  4EM DEFESA DA VIDA

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