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 justiça 08.02.2010    
Imprensa livre  
     
   
  Já que Dostoievski afirmou que a beleza salvará o mundo, estou convicta de que a imprensa livre salvará o Brasil.       
por Simone Nejar

Não é mais possível conviver diuturnamente com o noticiário de encomenda, com os muitos processos contra jornalistas que publicam a verdade.

Chega de amordaçar os servidores públicos com leis obsoletas, para que entrem mudos e saiam calados das repartições, ameaçados de demissão por falar a verdade.

É público o alto preço que paguei por denunciar o nepotismo no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, onde fui servidora concursada por dez anos.  

Para me afastar daqueles prédios, aparentemente impecáveis e sólidos, como deveriam ser as leis do País, a Constituição foi ignorada.

No que deveria ser o santuário da Justiça, meus colegas, como escravos levados a assistir ao açoite de um companheiro no tronco, tiveram que abaixar as cabeças, tangidos por feitores togados, à moderna senzala. 

Fiquei só no meio da praça como mais um exemplo dos que ousam desafiar Suas Excelências. Porem, não pensem que o Judiciário é o único a fazer isso com os seus servidores.

Há leis famigeradas amordaçando os militares, os professores e outras categorias. Leis que inserem o politicamente correto; -“O servidor que tiver ciência de irregularidades fica obrigado a denunciá-las, sob pena de prevaricação” -  Por outro lado, a mesma lei proíbe que o servidor se refira ao seu local de trabalho de modo depreciativo, ou teça suas considerações pessoais... Mordaça! Comprometendo a cidadania do servidor.

Como denunciar se os altos escalões não aceitam críticas, se os ditos achincalhes são determinados pelas figuras que detém a autoridade?

São tempos difíceis, não mais que de repente, o acusador vira acusado e é logo sentenciado à morte. Tudo à nossa volta é tão banal, tão corrupto, que não mais surpreende.

A Constituição Federal de 1988, que baniu o chamado crime de opinião, é pisoteada, graças às leis produzidas sob encomenda para calar os servidores públicos.

Quanto aos jornalistas, a ameaça de processos judiciais, os gastos com advogados, o desgaste e o precioso tempo perdido para explicar o óbvio, com certeza, contribui para que muitos se aquietem.  

Uma ação contra um jornalista pode comprometer as suas economias ou o dinheiro que, por ventura, ganhe no futuro para pagar advogados em cada ação; - Configurando, via de regra, um claro abuso do poder econômico por parte daqueles que movem os processos. O sucesso nas sucessivas instâncias não passa de Vitória de Pirro.

Ao final do último round, digo, da última instância, o jornalista estará exausto, quebrado e, não raro, indisposto com sua família.

Acredito piamente que somente a imprensa livre poderá salvar este País. Assim sendo, me disponho como advogada que sou, agora não mais como servidora pública, mas como prestadora de serviço público, a  defender os jornalistas engajados em denunciar as malversações, os abusos de poder econômico e o cerceamento da liberdade nesse país.

Meu compromisso público de lutar para assegurar a liberdade de expressão e o cumprimento das leis neste Brasil está assumido.

Contem comigo!

Simone Nejar é advogada em Porto Alegre, RS - simonenejar@gmail.com - Veja o vídeo - VideVersus

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