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Não é mais
possível conviver diuturnamente com o noticiário de encomenda, com os muitos
processos contra jornalistas que publicam a verdade.
Chega de
amordaçar os servidores públicos com leis obsoletas, para que entrem mudos e
saiam calados das repartições, ameaçados de demissão por falar a verdade.
É público o
alto preço que paguei por denunciar o nepotismo no Tribunal de Justiça do Rio
Grande do Sul, onde fui servidora concursada por dez anos.
Para me
afastar daqueles prédios, aparentemente impecáveis e sólidos, como deveriam ser
as leis do País, a Constituição foi ignorada.
No que
deveria ser o santuário da Justiça, meus colegas, como escravos levados a
assistir ao açoite de um companheiro no tronco, tiveram que abaixar as cabeças,
tangidos por feitores togados, à moderna senzala.
Fiquei só no
meio da praça como mais um exemplo dos que ousam desafiar Suas Excelências.
Porem, não pensem que o Judiciário é o único a fazer isso com os seus
servidores.
Há leis
famigeradas amordaçando os militares, os professores e outras categorias. Leis
que inserem o politicamente correto; -“O servidor que tiver ciência de
irregularidades fica obrigado a denunciá-las, sob pena de prevaricação” - Por
outro lado, a mesma lei proíbe que o servidor se refira ao seu local de trabalho
de modo depreciativo, ou teça suas considerações pessoais... Mordaça!
Comprometendo a cidadania do servidor.
Como
denunciar se os altos escalões não aceitam críticas, se os ditos achincalhes são
determinados pelas figuras que detém a autoridade?
São tempos
difíceis, não mais que de repente, o acusador vira acusado e é logo sentenciado
à morte. Tudo à nossa volta é tão banal, tão corrupto, que não mais surpreende.
A
Constituição Federal de 1988, que baniu o chamado crime de opinião, é pisoteada,
graças às leis produzidas sob encomenda para calar os servidores públicos.
Quanto aos
jornalistas, a ameaça de processos judiciais, os gastos com advogados, o
desgaste e o precioso tempo perdido para explicar o óbvio, com certeza,
contribui para que muitos se aquietem.
Uma ação
contra um jornalista pode comprometer as suas economias ou o dinheiro que, por
ventura, ganhe no futuro para pagar advogados em cada ação; - Configurando, via
de regra, um claro abuso do poder econômico por parte daqueles que movem os
processos. O sucesso nas sucessivas instâncias não passa de Vitória de Pirro.
Ao final do
último round, digo, da última instância, o jornalista estará exausto, quebrado
e, não raro, indisposto com sua família.
Acredito
piamente que somente a imprensa livre poderá salvar este País. Assim sendo, me
disponho como advogada que sou, agora não mais como servidora pública, mas como
prestadora de serviço público, a defender os jornalistas engajados em denunciar
as malversações, os abusos de poder econômico e o cerceamento da liberdade nesse
país.
Meu
compromisso público de lutar para assegurar a liberdade de expressão e o
cumprimento das leis neste Brasil está assumido.
Contem
comigo!
Simone Nejar é advogada
em Porto Alegre, RS - simonenejar@gmail.com -
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