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Se não for um erro, o
resultado pode representar uma física de partículas
totalmente diferente.
"O novo experimento
representa um quebra-cabeças, sem uma explicação óbvia",
diz Peter Mohr, do Codata (Comitê sobre Data para Ciência
e Tecnologia), que calcula valores de constantes
fundamentais em física e que não estava envolvida no
estudo.
Como a maioria dos
objetos quânticos, um próton é indistinto em suas margens.
Seu tamanho é definido pela extensão de sua carga
positiva, não por uma clara fronteira física. O raio dessa
carga não pode ser medido diretamente, mas pode ser
inferido a partir do átomo de hidrogênio, formado por um
próton e um elétron.
O elétron pode estar
localizado em várias camadas de energia, cada uma com uma
distribuição espacial diferente. Uma dessas distribuições
requer que o elétron mergulhe no próton, outra prevê que o
elétron se encontre totalmente fora do próton. As energias
dessas camadas podem ser combinadas para deduzir o raio do
próton, usando uma teoria chamada eletrodinâmica quântica
(QED).
Há um jeito de tornar
essa medição mais acurada ainda. Basta trocar o elétron
por um múon. Essa partícula, também carregada
negativamente, é maior que o elétron de forma que sua
camada de energia fica mais próxima e se sobrepõe ao raio
do próton.
Desde 1969, quando a QED
foi proposta, a criação de um "átomo muônico" tem estado
na lista de afazeres dos cientistas, diz Randolf Phol, do
Instituto Max Planck de Óptica Quântica, em Garching,
Alemanha. Mas o ponto de partida do experimento -a
penúltima camada menos energética- persiste por menos de
um microssegundo sob condições normais, tempo insuficiente
para medir sua energia.
Só agora Pohl e sua
equipe desenvolveu um método que os permitiu prolongar
esse estado e medir o raio do próton usando átomos
muônicos.
Eles colocaram múons
movendo-se a baixas velocidades em um contêiner de gás
hidrogênio a uma pressão mil vezes menor que a da
atmosfera. A medida que os múons se ligavam aos núcleos de
hidrogênio, eles começavam em estados de alta energia.
A maioria pulava em
seguida para o estado de menor energia, mas 1 em 100
pulava somente até o penúltimo estado menos energético. A
equipe tinha uma janela de um microssegundo para acertar
esses elétrons com um pulso de laser ajustado na
frequência exata para empurrá-los para uma camada superior
a fim de medir sua energia.
Para a surpresa deles,
quando combinaram essa medição com a energia da camada
abaixo, seus cálculos revelaram um raio de 0,84184
femtômetros, menos que um trilionésimo de milímetro, 4%
menor que o raio estimado usando o átomo de hidrogênio.
Essa diferença é muito
maior do que esperada. "Os teóricos relevantes nos dizem
que um erro de tal magnitude é 'impossível'", diz Pohl.
Mohr acredita que o
problema deve estar em um erro de medição ou no átomo de
hidrogênio ou no átomo muônico, ou um erro nos cálculos.
Savely Karshenboim, outro
membro do Codata no Instituto Max Planck de Óptica
Quântica, acredita em um erro no estudo com o átomo
muônico porque ele "contradiz outro resultado
convincente".
No entanto, se tais erros
forem excluídos, a discrepância poderia apresentar um
problema para QED, uma teoria que sustenta muito da física
de partículas. O problema abre a possibilidade de que uma
nova física esteja em ação nos átomos, como no caso das
partículas subatômicas antes desconhecidas.
Pohl defende seu
resultado experimental, mas pede cautela quanto a
conclusão. "Uma nova física sempre pode ser usada para
explicar qualquer discrepância, mas antes que tal
afirmação possa ser feita, ainda tem muito trabalho pela
frente."
O estudo foi publicado na
revista "Nature".
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