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Um fato que vai
refletir fortemente em nossa capacidade de atuar em áreas de alto
valor agregado é a quantidade de engenheiros.
Por ano formamos
30 mil enquanto a Índia e a China, também países emergentes do BRIC,
formam 300 e 600 mil respectivamente. O Pisa (Programme for
International Student Assessment 1) mais recente (2006)
demonstra que o país está muito mal.
Em ciências
ficamos na posição 52 entre 57 países. A posição de nossos vizinhos:
41 Chile, 42 Uruguai, 49 México, 50 Argentina, 51 Colômbia. Nenhum
brasileiro, neste levantamento, atingiu o nível mais alto (nível 6)
de desempenho. Entre os países da OECD*, 1,3% respondem questões
neste nível, na Finlândia 3,9%.
Quanto à
capacidade e compreensão em leitura entre 56 países temos: 38 Chile,
42 Uruguai, 43 México, 49 Brasil, 51 Colômbia, 53 Argentina. Também
o Brasil não está entre os paises que exibiram uma melhora nos
índices de leitura relativamente ao Pisa 2000.
Em matemática,
entre 57 países estamos também quase em último lugar: 42 Uruguai, 47
Chile, 48 México, 52 Argentina, 53 Colômbia, 54 Brasil. É
interessante notar que o Índice de Democracia 2008 (trabalho do
Economist Intelligence Unit 2) classifica os 167 países
analisados em democracias plenas (30 países), democracias com
defeitos (50), regimes mistos (36) e regimes autoritários (51) com
base em 5 indicadores principais: pluralismo e processo eleitoral,
eficiência governamental, participação política, cultura política e
liberdades civis.
Uma amostra do
ranque: 23 Uruguai entre as democracias plenas, 32 Chile, na segunda
posição entre as democracias com defeitos, 41 Brasil, 55 México, 56
Argentina, 60 Colômbia, 75 Bolívia e, entre os regimes híbridos a
Venezuela está na posição 95. A Coréia do Norte ocupa a última
posição (167).
Nota-se que os
países latinos da América com melhor colocação no índice de
democracia (Chile e Uruguai) também estão nas melhores colocações na
avaliação do Pisa. Também pagamos o preço educacional por ser um dos
países mais desiguais do mundo (pelo estudo do PNUD** recente,
estamos empatados com o Equador, só a Bolívia e Haiti estão em
situação pior).
Depoimentos no
sentido de apontar problemas e propor soluções em nossa educação
fundamental e média como os de Isaac Roitman e Camilo da Silva
Oliveira (ver entrevistas ANAE) levantam, entre outros aspectos, a
questão da avaliação objetiva do desempenho como essencial para
guiar a otimização do processo educacional entre alunos e
professores.
Os depoimentos
recolhidos pela VEJA3 com especialistas americanos
(nov 2007) e com o ministro Fernando Haddad (out 2007) destacam a
importância de criar mecanismos que ofereçam incentivos econômicos
diferenciados, como um bônus anual para professores de escolas com
bons resultados, seleção de diretores baseada no mérito, autonomia
financeira para escolas bem avaliadas.
Os americanos
afirmam que os dados objetivos demonstram que aumentos salariais
isonômicos não resultam em melhoria no desempenho educacional.
Em certas regiões
do Brasil, os salários estão tão baixos que deve haver alguma
melhora apenas com aumento salarial. Em entrevista o secretário de
educação do Estado de São Paulo, o Prof. Paulo Renato4
(out 2009) defende as políticas baseadas em mérito que introduziu.
Por outro lado a
APEOESP5 defende a isonomia e inclusive tenta na justiça
inviabilizar o sistema de promoção de professores estabelecido no
Estado de São Paulo. Não podemos deixar de avaliar com a maior
objetividade e isenção as medidas a implementar para que nossa
educação saia do estado lamentável em que se encontra.
A complexidade do
assunto vai exigir uma estratégia que mobilize diferentes setores.
Algumas soluções possíveis dentro do sistema atual, ancoradas em
direção competente, compromisso entre pais, alunos e professores
quanto à disciplina e convivência, e monitoramento constante dos
resultados nas provas objetivas (como ENEM e Prova Brasil por
exemplo) foi demonstrada eficaz na gestão bem sucedida do Prof.
Camilo da Silva Oliveira em Taboão da Serra.
Mas isso vai
depender de uma melhoria na capacidade gerencial de diretores e na
formação de professores em grande escala. Não se pode apenas
submeter professores a provas e promover diferencialmente.
Precisamos qualificar maciçamente docentes que, no momento, ganham
pouco, estão com excesso de carga didática e mal preparados neste
país-continente.
A entrevista de
Andreas Schleicher que dirige o programa Pisa (Estadão de
25/7/2010) oferece um balizamento para o futuro. Mostra que as
avaliações são importantes não apenas para ingresso e saída dos
programas mas para fornecer dados que identifiquem problemas e
orientem soluções ao longo do tempo.
Diz que as
informações geradas devem ser transformadas em ações. Lembra que as
sociedades que não cuidarem do problema educacional no sentido de
atingirem toda a juventude, nesta era da informação, vão pagar um
preço muito superior ao do investimento necessário.
Destaca a
importância da qualidade com o exemplo de Finlândia e Coreia do Sul,
países no topo da hierarquia educacional segundo o Pisa. Ambos
buscam seus professores entre os 10% com as melhores notas ao sair
da universidade. A tarefa é hoje mais difícil pois é crescente a
rapidez com que a sociedade se modifica com novas profissões e
necessidades surgindo à toda hora.
O objetivo
educacional, lembra Schleicher, não é mais o domínio de um conteúdo
mas a “capacidade de aplicar esse conhecimento em situações
inéditas”. Mostra que o foco saiu do currículo e se volta para o
aluno que deve ser individualizado, pois cada um aprende de maneira
distinta.
Remete à
discussão atual de que o professor não mais seja a fonte do
conhecimento mas atue como um mediador, orientando, estimulando e
avaliando.
* Organização de
Cooperação Econômica e Desenvolvimento
** Programa das
Nações Unidas para Desenvolvimento
F.G. Nóbrega
é professor titular aposentado da USP, atualmente na UNESP de
São José dos Campos.
Fontes:
1
PISA 2008
2
Democracy Index
2008
3
Meritocracia na
Educação
4
Paulo Renato
entrevista 2007
5
Notícia APEOESP
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